Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007
idade de consentimento


Esperar, a arte que muitos com um tipo bastante específico de vesânia definem como ‘aguardar’ [nota do autor: denote-se o facto de andar desertinho para usar vesânia numa conversa e, derivado de ainda não ter conseguido tamanho feito – e decorrente de não saber como se articula, oralmente, a palavra -, não resisti e tive mesmo que espetar com a vesânia na primeira linha disto, sem me preocupar com sentidos, contextualizações ou o cacete alado], não é assim tão fastiento como isso. Procurar coisas é, de muito longe, pior. Se há para aí canalha que pensa que não é bem desta forma, que não é bem como eu enuncio, e que esperar pode, em determinadas circunstâncias, ser pior que procurar, deixem-me adiantar, antes que se formem mais ideias estupendamente camelares, e um tanto parvas, que estão iludidos, tão ou mais que qualquer pessoa que diga que uma mousse de chocolate com nozes é pior ou, no máximo, equivalente a uma mousse de chocolate sem nozes. Não é, mesmo que, no meio das nozes, vá um bocado de casca. De noz, que se for casca de batata, ou de tubérculos na sua generalidade, já levanta questões, designadamente de natureza deontológica, entre outras. As nozes, de que a mousse com nozes é exemplo supremo até eu achar que é outro, obedecem a uma dinâmica inversa àquela que rege as passas. Nozes é o tipo de coisa que melhora tudo onde é enfiado, ou, na pior das hipóteses, não piora; ao passo que as passas – repare-se como as figuras de estilo me saem sem eu ficar uma tarde inteira a pensar nelas, como fazia o Miguel Torga; quem não souber onde está uma figura de estilo, peça ajuda a um adulto – têm uma invulgar dificuldade que consiste, num sentido lato, na circunstância de nada, nadinha, ser melhor com passas. Peva, mas, culturalmente, insiste-se em passas com elevada constância. Nunca na história da humanidade, e o que mais para aí tenha havido antes da macacada e dos protozoários, há registo, real ou que eu tenha testemunhado num sonho, de alguém a dizer ‘isto até é bom, mas sabes o que falta aqui? Passas!’. Passas não fazem falta em nada e, para ainda se manterem em tanto quadrante da nossa sociedade alimentícia (é pavorosa a percentagem de bolachas que se deixam conspurcar por este fruto seco do diabo), só podem ter um potente grupo de pressão, o chamado lobby – que, já agora, é um nome que os cães chamados Bóbi confundem com o seu [facto comprovado de modo experencial por mim]. Porque, ò gentalha, é bom que se vão convencendo que tudo é produto de grupos de pressão. Em questões alimentares, então, isto é para lá de patente. Um exemplo, porque sei que há sempre cépticos em tudo. Quando eclodiu aquela suposta doença das vacas, cedo avistei o que aí vinha. O lobby da carne de porco (quem sabe, talvez também o da carne de galinha e esses pássaros) tinha inventado uma doença, contaminando, isso sim, a opinião pública com estes boatos maldosos, supostamente alicerçados em estudos científicos independentes. Nada mais adulterino. Estes estudos independentes só podem ter sido desenvolvidos por cientistas que, no cozido à portuguesa, preferem a carne de porco. Vai daí, e como não tinham nada a perder, porque continuavam a apreciar o cozido à portuguesa e sem ter que passar pela chatice de procurar os bocados de carne de porco entre os bocados de carne de vaca, toca a tentar lixar a carne deste último animal. A mim, em cenas, não me copulam, como se sabe. E, quando se anunciam essas supostas doenças – e este exemplo também serve para febres aftosas e aquelas constipações em pássaros –, o que há a registar, e com eminente agrado, é o facto de agora eu ir despender bem menos por um bife. Inclusive, no auge dos pássaros constipados, naquela altura em que bastava ver-se um chinês a espirrar na Mouraria para se instalar o alvoroço, larguei euro e vinte cinco por um frango assado. Não era meio frango, era um. Muito frango assado comi eu nessa altura. E eu sou o gajo mais porreiro de ser comer frango assado com. Porque sou acérrimo adepto do peito, deixando pernas (e outras bodegas, tipo asas, pescoços e rabo) para os outros. Dizem-me sempre ‘gostas do peito? O peito é tão seco’, mas eu gosto porque me calha sempre aquele bocadinho de plástico com o nome do aviário. O nome disto, de preferir o peito às pernas, é apenas um: altruísmo, sem tirar, nem pôr. Além do mais, gosto de manter os meus critérios estáveis, trate-se de preferências em termos de frango assado ou mulheres. Pois bem, quanto às passas, não há muito mais a dizer, e, reconhecida que está a incontestável existência dum forte grupo de pressão, nada mais há a fazer senão lutar. Comece-se por abalroar uma das bases mais consistentes das passas, aquela porcaria de comer as doze na passagem d’ano, uma por cada mês do ano. Ou badaladas. Ou apóstolos. Ou os patifes daquele filme. Não sei quem são os doze homenageados com essa ingestão de dúzia de passas, valha a verdade. Eu, desde a passagem d’ano noventa e seis para noventa e sete, como sempre é doze cajus e os anos têm-me corrido normalmente, com a vantagem de eu gostar de cajus e não me darem azia para o resto da noite. Se bem que, ainda ontem, recebi um carta electrónica, anónima, que dizia apenas “Estás a ver, meu cornúpeto, se comesses as doze passas, a bola batia na cabeça do Polga e ia para canto”. Só percebi que tinham enveredado pela ofensa depois de ir ver o que quer dizer cornúpeto, que até é daquelas coisas que passa por elogio. Independentemente disso, já entreguei o assunto às autoridades competentes, que, basicamente, sou eu, mas com um taco de bilhar afiado e dois amigos da chamada ciganagem hardcore. Entretanto, e em protesto para com a influência das passas e com o episódio da bola ter batido na cabeça do Polga e ter ido para a baliza, retiro-me para sempre destas lides até para a semana.




Comentários:
De paula a 9 de Novembro de 2007 às 13:26

chiça....arre


De Eduardo Ramos a 9 de Novembro de 2007 às 14:15
Mas porquê? PORQUÊ?
Porquê é que ponho-me a ler estas coisas? Não me dizem?
Porque sou parvo? Talvez.
Mas a verdade é que fiquei com uma dor de cabeça que nem imaginam.
Já repararam se lerem os textos produzidos pelo cérebro do dono deste blog, do fim para o início, toda a contextualização, mantem-se?

Como fazes isto? Por acaso pões as mãos por cima do teclado e começas a escrever. Depois baixas lentamente até os dedos tocarem no teclado. Ao fim de uns minutos, voltas a levantar as mãos , qual máquina de derramar ideias e pensamentos. É assim?
:)


De pedro a 11 de Novembro de 2007 às 16:34
Ouça, reduza a sua intervenção a, no máximo, uma dúvida. Não queria ser lambareiro.


De anatcat a 9 de Novembro de 2007 às 14:55
Também não gosto nada de passas, e refiro-me aqui a passas - o fruto seco originário da uva, não querendo fazer qualquer elucidação a passas de ervas também essas secas mas ao invés de comestíveis, fumáveis das quais também não sou consumidora embora por estar a escrever este coment á rio em pleno horário laboral isso lhe possa parecer que não seja mesmo nada assim. Pior que passas só mesmo as cristalizadas, sejam elas frutas ou cascas. Dá-me nojo e repulsa vê-las introduzidas à superfície ou completamente envoltas na massa daquele bolo natalício com nome majestoso que para mim e para os meus botões, que são pretos e muito simples pois não gosto de adornos dourados ou demasiado rebuscados e uma vez que o meu pequeno e justo casaco de malha canelada que trago hoje vestido também é preto trazia ao ser adquirido botões da mesma cor como seria de esperar - por mim - porque se calhar qualquer outra pessoa esperaria outra coisa qualquer, deviam era chamar-lhe bolo súbdito mais reles de toda populaça com ar pouco higiénico e nada asséptico ao verdadeiro estilo bruto medieval . Bruto e medieval podiam também ser adjectivos que aplicaria ao futebol esse desporto que tal como o bolo é apelidado de rei e do qual não sou nada fã nem espectadora assídua o mesmo não se pode dizer nem sequer considerar pensar acerca do meu comportamento face aos textos deste blog.


De ZOT a 9 de Novembro de 2007 às 17:17
Por acaso costumo comer uma só uma passa na passagem de ano e anunciar em voz alta, depois de todos comerem as suas doze, que o meu unico desejo, é, que os desejos de todos os outros não sejam satisfeitos. Isto provoca logo algum mau estar geral, mas que me faz evitar ter que aturar pessoal meio bebedo e superticioso. Depois, até pode haver sempre uma tipa rebelde que me confessa não acreditar em nada daquilo das passas, à qual remato logo com um; se eu acreditasse nisso das passas, o meu desejo seria levar-te já para casa e passar o resto desta noite em sexo puro e duro.


De Moyle a 9 de Novembro de 2007 às 17:37
Mousse de feijão frade é que não vale mesmo umas fezes.


De anatcat a 9 de Novembro de 2007 às 18:29
como sou uma miúda completamente leiga nestas coisas das blogosferas e informáticas e o meu perfil é privado não sei bem porquê porque o blog onde ponho coisas desajeitadas já não tem interesse nenhum a não ser para familiares e afins... aqui fica... só para não ser uma anonimous armado em pretenciosa... http://catedraiscomentulho.blogs.sapo.pt/
melhores cumprimentos


De John The Revelator a 9 de Novembro de 2007 às 21:33
Este ano vais mamar as 12 passas, que eu ainda quero ganhar a taça UEFA.


De pedro a 11 de Novembro de 2007 às 16:35
Dez cajus, duas passas e ganhamos em penalties.

Temos acordo?


De ZOT a 14 de Novembro de 2007 às 01:25
so vi esta resposta depois do jogo com o Braga. isto ainda vai valer dinheiro. ha-de haver jantar e putas!


De anatcat a 9 de Novembro de 2007 às 22:37
ah! e isto pode ser um teste ou não (or not) de uma publicadora/editora, tanto faz, adorei a foto que não sei se é o robert ou não (or not) de niro... mas parece...
ZOT: tu estás lá!
Moyle: é batido de atum! (passo a publicidade)


De pedro a 11 de Novembro de 2007 às 16:37
Acho que não percebi o que quis dizer com a frase que se inicia com um 'ah' e termina com um 'faz,', mas já que pergunta, não é Bob de Niro nenhum.

É ir ali ao comentário da sua colega, que agora não me recorda o nome, e ver como se atiram palpites à balda, mas com categoria.


De Cleo a 11 de Novembro de 2007 às 02:46
Tenho de admitir que também sou uma daquelas pessoas 'altruístas' que prefere o peito do frango, chegando mesmo a resistir às piadas que rezam: 'aquilo parece palha!'. Posso ainda dizer que, quanto ao Polga-e-a-sua-malfadada-cabeça, não são raras as vezes que tenho ganas de matar certas e determinadas pessoas e, para mal dos pecados (do Polga, não dos meus) esse intrépido jogador juntou-se a esse já longo rol de condenados. Enfim, a esperança é a última a morrer!

Ps. Na foto, my money's on Johnny Cash. Pode ser um grande disparate, mas foi quem me pareceu.


De pedro a 11 de Novembro de 2007 às 16:37
Parece-lhe muito bem, deixe-me dizer-lhe.


De nato a 11 de Novembro de 2007 às 17:02
achas-te melhor poeta que o torga ou apenas mais sortudo? não percebi...


De pedro a 13 de Novembro de 2007 às 18:11
Espero que esta citação duns desenhos animados o esclareçam, inclusive e isso:

"Only you, Tonto, know I'm alive. To the world, I'll buried here beside my brother and my friends... forever."


De ZOT a 14 de Novembro de 2007 às 01:29
fodasse!


De nato a 14 de Novembro de 2007 às 03:29
"You know Billy, what worries me is how your mother is going to take this."


Comentar post

arquivos e isso
coisas menos coiso
digam que vão de minha parte
 Para deixar recado e assim
  • olhequenao@hotmail.com