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Olhe que não, shô Doutor! Olhe que não...

Olhe que não, shô Doutor! Olhe que não...

Só cá faltava mais este…

pedro, 08.11.05
Depois de me ter chegado aos ouvidos uma excelente notícia cinematográfica – o Harry Potter vai morrer num dos seus próximos filmes e só tenho pena de não ser eu a fazê-lo com um cutelo infectado cheio de tétano e vurmo –, eis que chega a tempestade depois da bonança: parece que vai haver um novo ‘Academia de Polícia’. A notícia, claro, deve ser recebida pelos amantes da sétima arte como o mesmo entusiasmo com que os pacientes na sala da espera para um exame à próstata ouvem uma enfermeira sussurrar ‘parece que o doutor entalou a mão e os dedos estão mesmo muito inchados’ para outra. Há-de haver um ou outro que encare aquilo, uns dedos grotescamente tumefactos, como uma boa notícia, como também haverão alguns para quem um novo ‘Academia de Polícia’ é motivo para felicidade e para uma espera ansiosa. Mas para a maior parte, quer uma notícia, quer outra, são recebidas com desespero. A estreia está prevista para 2006. Está então dado o primeiro passo para que este se torne num ano de apocalipse. Para isso, basta que, ao ‘Academia de Polícia’, se junte o lançamento de um álbum do Luís Represas e um papel principal numa novela para o Tozé Martinho.


Será o oitavo (?) episódio da série ‘Academia de Polícia’. Bem vistas as coisas, não é propriamente a chegada de um oitavo episódio que surpreende e escandaliza. Esse papel, o de surpreender, escandalizar, e, porque não dizê-lo, horrorizar o mundo, já foi desempenhado pelo segundo episódio da série. A partir do momento em que há uma sequela daquele primeiro filme, tudo passa a ser possível no mundo do cinema. Probabilidades de sucesso, ou sequer de algum bom gosto, desta sequela? Nenhumas, até porque, como se não bastasse a premissa idiota que sustenta o filme, alguns actores habituais já estão confirmados. Sendo assim, o Tackleberry, o sargento dos óculos espelhados e magnum prateada, será de longe a melhor personagem e o melhor actor, mas isso só porque morreu em 2001. Ver a Debbie Callahan de calções e t-shirt justa quando conta 35 primaveras não é com certeza a mesma coisa que vê-la nas mesmas vestes com 57 rigorosos e impiedosos invernos.

E será mesmo preciso mais um filme com um preto que imita um sensei que fala com a voz dobrada em inglês, ou que reproduz o som de megafones, feedback e electricidade estática? Como se estes não fossem já argumentos para não se fazer mais uma ‘Academia de Polícia’, ainda por lá aparece a irrefutável prova de que será irremediavelmente um péssimo filme: Steve Guttenberg. Este descendente do gajo que inventou a imprensa consegue dotar todos os seus filmes de um denominador comum. São todos tão maus filmes como ele é actor. Mas mesmo maus. Para verem como são maus, só digo que os melhores serão, à vontade, as porcarias dos dois ‘Cocoon’, o ‘Curto-circuito’ e os ‘Três Homens e um bebé/uma menina’. O gajo definia os filmes e, durante os anos 80, e como Steve entrava em muita coisa, alguns filmes, como veículo de promoção, chegam a avisar, nos seus traillers e nos posters, que ‘não tem o Steve Guttenberg!’ – ‘Without Steve Guttebberg!’. Tudo o resto era secundário.

Bem, preparem-se lá então. Porque, no próximo ano, está de volta mais uma sequela do filme que, há mais de vinte anos, tentou mostrar ao mundo como era engraçado ver o polícia mau com a cabeça enfiada no cu de um cavalo. Sim, alguém achou que sodomizar equídeos com a cabeça era o que faltava para o mundo rir mais e com mais força. E, tendo em conta que a série ‘Academia de Polícia’, valha-lhe isso, prima pela coerência – porque o primeiro é mau, mas o segundo é pior, o terceiro ainda é pior, e por aí adiante até ao sétimo –, este novo episódio promete.

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