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Olhe que não, shô Doutor! Olhe que não...

Olhe que não, shô Doutor! Olhe que não...

Pronto.

pedro, 17.09.07


Nunca soube a minha palavra-passe para isto. Um tal de Dr. Mozilla Firefox tinha-ma guardado. Interpelou-me, que eu bem me lembro, naquela onda do “desejas”, aliás, “deseja” – que o Dr. Mozilla prima pela excelência no trato – “que Firefox guardasse esta senha?”. Sim, se não for muito incómodo, até desejo, que é da maneira que m’esqueço já dela. Uma cabeça que consegue aplicar uma acutilante, explosiva, irrepreensível, e cerca de outros quarenta e três adjectivos (inclusivamente, um galicismo e outro anglicismo), mistura de dialéctica marxista-leninista-maoista com as razões pelas quais eu teria lugar no meio campo do Brasil ’82 nos jogos da 1ª fase – e esta aplicação, pormenor digno de ressalva, pode-se registar sob diversos idiomas, garantidamente, acima de um, quiçá até mais, mas também é possível que não, que seja só mesmo isso; até posso saber isso, mas se calhar agora ia continuar a frase, que eu nem faço parágrafos e depois vai-se a ver e até se torna maçudo –, ora, aplicação essa que é justaposta a tudo o que vê à frente, essa mente não pode, e não deve nunca, andar a ser atulhada com senhas e demais picuinhices que a vida automatizada nos vai impondo. E assim foi. Ainda nem tinha carregado no “sim, desejo” e já se me tinha evaporado a palavra-passe da cabeça. Durante uns tempos, correu tudo bem. Sempre que queria usar isto, o Dr. Mozilla nem me pedia nada, deixava-me entrar, qual Copa C ou D [atenção: não numa estrutura que pese acima dos sessenta quilogramas, que assim também eu, ó chefe] na Kapital. Até que um dia, do nada, o Dr. Mozilla começou-me a pedir uma senha. Um código para poder entrar. De um dia para o outro, deixei de ser umas mamas a quem só a terceira ou quarta letra do alfabeto, em termos de copa, permitia algum conforto e aconchego, para passar a ser um gajo de pantufas e roupão que queria entrar na Kapital num sábado à noite. Isto lá acabou por se resolver. E eu entrei. Inclusive, estou cá dentro agora. Não é a mesma coisa. Não me sinto umas mamas grandes, daquelas que fazem tanta miúda de dezasseis anos ter os amigos do pai a ver os seus jogos de vólei ou outro desporto qualquer em que haja saltos constantes ou com frequência de registo. Agora que penso nisso, não há um desporto que tenha visto desenvolvida a sua versão feminina, precisamente para destacar as mamas dos demais encantos. Como, por exemplo, há o ténis para destacar, primeiro, os gemidos, e, bem depois, lá mais ao fundo, as pernas. Muito se geme num jogo de ténis. Talvez uma espécie de salto à corda em câmara lenta fosse a actividade por excelência, a actividade que levaria uma fufa corporativista a, revoltadíssima, dizer que “o salto à corda em câmara lenta não é uma actividade desportiva, mas, tão-somente, um salvatério para os homens verem a movimentação sincronizada e constante de profusos seios a quem a gravidade parece nada dizer, mantendo assim a tendência milenar da exploração feminina”. A única pessoa que vi usar a palavra salvatério foi precisamente uma fufa corporativista. Foi numa RGA, no ano de dois mil e três, ou outro qualquer desses que são ímpar e que não há mundial nem europeu. Uma fufa corporativista, e isto para aquelas pessoas a quem dá sempre mais jeito uma imagem mental, é assim uma espécie de Zita Seabra, de camisa de ganga e calças de bombazina creme. Ou sarja. Mas, se for sarja, a cor já andaria mais ali pelos campos do amarelado. Ou do pus. Já pedi esta cor numa loja. “Olhe, tem isto, mas assim mais em tons de pus?”. “Pus? Como assim, pus?”. “Pus, ‘tá a ver? Vurmo, essas coisas assim. Não tem?”. Não tinha, mas que se lixe. Era para uma aposta, que o pus nem é a minha cor. Por isso, se calhar, reformulava a frase ali de cima, que, com isto tudo, acabou por perder actualidade e um tudo-nada de acutilância. Não me sinto umas mamas grandes, daquelas que fazem tanta miúda de dezasseis anos ter os amigos do pai a ver os seus saraus de salto à corda em câmara lenta ou outro desporto qualquer em que haja saltos constantes ou com frequência de registo. Sim, saraus. Em vez disso, sinto-me um daqueles gajos que andou na escola com o sobrinho do dono e foi fazer queixinhas do segurança que não o deixou entrar. Ao fim e ao cabo, o Dr. Mozilla já não me olha da mesma maneira quando entro aqui. Que se lixe isso, que eu até tenho enfrentado fastios de índole bem mais contingente. Nomeada e mormente, perceber finalmente qual a percentagem máxima de batatas fritas que posso eu tirar do prato de alguém que se ausentou por momentos sem que essa pessoa s’aperceba que lhe faltam alguns exemplares deste espirituoso tubérculo. Se calhar depende da pessoa. Rai’s parta o subjectivismo inerente à individualidade. As pessoas, quero dizer.

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